Edição 1 Ano I - Julho/Agosto 2021


A dor e o luto de quem perdeu alguém na pandemia

Segundo dados do Consórcio de Imprensa do Brasil, janeiro, março e abril de 2021 somados, com 195.949 mortes, produziram mais óbitos pela Covid-19 do que todo o ano de 2020, com um total de 194.975. A dor da perda de um ente querido, para quem fica e certamente para quem parte, não cabe dentro dos números e não deve ser relativizada. Cada vida importa. Por trás de um número nas estatísticas, sempre tem uma história marcada por afetos e um lugar ocupado por alguém único.


Nesta primeira edição digital da Revista Bote Fé, apresentamos a história e os relatos de quem perdeu um familiar e está superando esse momento de dor com a ajuda das “delicadezas de Deus” e também com a vivência consoladora da fé. Apresentamos também a presença misericordiosa da Igreja em Manaus (AM) junto aos fiéis e ao povo, como caminho para curar a perda dos entes queridos que, de forma tão brusca e breve, estão partindo.

BOTE FÉ ENTREVISTA


Biotanatólogo fala sobre os passos para superar o luto e a curar a dor da perda

POR QUE LER?


Conheça a trajetória de Carlo Acutis, o primeiro beato da era digital

ARTIGO


Dom Armando Bucciol fala sobre o Sacramento da Reconciliação

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“Alma de criança em um corpo de adulto”

Até bem pouco tempo, Jussane Cristina da Silva Costa Rodrigues, 60 anos, jornalista que trabalha no Setor de Comunicação na Diocese de Jundiaí (SP), comportava-se como se seu esposo, Carlos Alberto de Freitas Rodrigues, tivesse ido a uma consulta médica e a qualquer momento fosse retornar para casa. “Fazia as coisas pensando nele, que iria chegar, que tinha que lhe contar algo...”, conta. Há 12 meses, contudo, seu marido não volta mais para casa porque, em junho de 2020, no mês em que completou 60 anos, no dia 25, foi um das centenas de milhares de brasileiros que teve a vida interrompida pela Covid-19.


Carlos Alberto, que era aposentado, é descrito pela esposa, com quem fora casado por 37 anos, como alguém que “tinha alma de criança em um corpo adulto”. “Era muito conhecido e querido”, enaltece Jussane. A morte o abateu de uma forma muito rápida. Ele começou a ter febre no dia 18 de junho. No mesmo dia, arrumou-se, colocou luvas e máscaras e dirigiu de Cajamar à Jundiaí, onde fica o hospital da Unimed, único que atendia pelo plano de saúde do casal. A filha, Cassia Freitas da Costa Rodrigues, 36 anos, o acompanhou ao hospital. “Ele tinha verdadeiro pavor de pensar que contraíra o vírus porque sofria de hipertensão, uma das comorbidades”, conta a esposa.


Após a espera de uma tarde no Pronto Atendimento, os médicos o internaram. E todo o processo daí em diante transcorreu para a família em breves e aturdidos 8 dias: “Foi tudo muito rápido. Foram 8 dias de internação. Em 3 dias ele foi transferido para a UTI por conta da rapidez com que o pulmão se comprometeu e, em 2 dias, foi entubado”, descreve a viúva.


O contato entre a esposa e o marido, enquanto este ficou no quarto do hospital, passou a ser mediado por videochamadas. “Ele ficou muito abalado, a situação no hospital era desesperadora. Dizia que parecia que estava em uma guerra”, relembra. Depois que o marido foi transferido para a UTI, Jussane passou a receber o boletim médico por

telefone, uma vez ao final do dia. “Os médicos nunca nos esconderam nada. Para eles também era tudo muito novo e pediam-nos para acreditar, pois tudo o que era possível estava sendo feito”, disse.

O vazio do luto e da perda

Enfrentar o vazio da perda de alguém que você ama em tão pouco tempo e sem as devidas despedidas foi algo enlouquecedor na vida de Jussane, conforme ela mesma descreve: “Na verdade, vivi em estado de torpor. Agora, passados 12 meses, começo a entender o que vivi e que não tem volta”, relata.


Ela conta que, quando pensa e relembra o que a família passou, não entende como sobreviveram: “As coisas foram acontecendo e tínhamos que administrar nossas emoções e pensamentos com muita rapidez. Foi surreal!”, relata.


O momento do sepultamento do esposo, para ela, foi o mais doloroso e ainda dói recordar: “Ele faleceu às 3h da manhã, às 12h já estava sendo sepultado”. De acordo com Jussane, a ausência do ritual de despedida é dolorosa especialmente no Brasil, cuja cultura para esse momento é marcada por despedidas, tempo de dar e receber carinho e atenção.


A cena na qual estava ela, seus 3 filhos, 3 cunhados – um deles, irmão de seu esposo – e alguns amigos muito próximos dele, na rua, em frente ao cemitério, esperando o carro fúnebre chegar, com o caixão lacrado, com todos os auxiliares paramentados (um motorista, dois coveiros e uma funcionária do velório municipal) é descrita por ela como “chocante e triste de ser ver”.


Por conta dos cuidados sanitários, quando o corpo chegou todos tiveram que se paramentar com aventais, máscaras, luvas, proteção na cabeça e sapatilhas. “Entramos eu e meus 3 filhos, acompanhando o caixão. Foram cerca de 20 minutos, isso porque rezamos ao lado da sepultura, enquanto o enterravam e nos pediam para deixar o local”.


“Foi muito triste e inacreditável. As flores e as coroas que chegaram não puderam entrar no cemitério. Por dias, recebi flores e coroas em minha casa... Na tarde do mesmo dia do sepultamento, um amigo foi ao cemitério levando uma coroa em nome de um grupo de amigos. Ele colocou a coroa sobre o túmulo, fotografou e me mandou a foto. Atrás dele, o funcionário do cemitério aguardava para retirar as flores e jogar no lixo”, conta.

Delicadezas de Deus

Enfrentar o vazio da perda de alguém que você ama em tão pouco tempo e sem as devidas despedidas foi algo enlouquecedor na vida de Jussane, conforme ela mesma descreve: “Na verdade, vivi em estado de torpor. Agora, passados 12 meses, começo a entender o que vivi e que não tem volta”, relata.


Ela conta que, quando pensa e relembra o que a família passou, não entende como sobreviveram: “As coisas foram acontecendo e tínhamos que administrar nossas emoções e pensamentos com muita rapidez. Foi surreal!”, relata.


O momento do sepultamento do esposo, para ela, foi o mais doloroso e ainda dói recordar: “Ele faleceu às 3h da manhã, às 12h já estava sendo sepultado”. De acordo com Jussane, a ausência do ritual de despedida é dolorosa especialmente no Brasil, cuja cultura para esse momento é marcada por despedidas, tempo de dar e receber carinho e atenção.


A cena na qual estava ela, seus 3 filhos, 3 cunhados – um deles, irmão de seu esposo – e alguns amigos muito próximos dele, na rua, em frente ao cemitério, esperando o carro fúnebre chegar, com o caixão lacrado, com todos os auxiliares paramentados (um motorista, dois coveiros e uma funcionária do velório municipal) é descrita por ela como “chocante e triste de ser ver”.


Por conta dos cuidados sanitários, quando o corpo chegou todos tiveram que se paramentar com aventais, máscaras, luvas, proteção na cabeça e sapatilhas. “Entramos eu e meus 3 filhos, acompanhando o caixão. Foram cerca de 20 minutos, isso porque rezamos ao lado da sepultura, enquanto o enterravam e nos pediam para deixar o local”.


“Foi muito triste e inacreditável. As flores e as coroas que chegaram não puderam entrar no cemitério. Por dias, recebi flores e coroas em minha casa... Na tarde do mesmo dia do sepultamento, um amigo foi ao cemitério levando uma coroa em nome de um grupo de amigos. Ele colocou a coroa sobre o túmulo, fotografou e me mandou a foto. Atrás dele, o funcionário do cemitério aguardava para retirar as flores e jogar no lixo”, conta.

Órfãs de pai e de mãe

Isabelle Regina de Souza e Silva, 21 anos, e suas duas irmãs, Letícia Maria de Souza e Silva, 19 anos, e Ane Elise de Souza e Silva, 14 anos, ficaram órfãs de pai e de mãe no último mês de março, na segunda onda da pandemia da Covid-19. Sua mãe Cristiane Regina da Silva, 43 anos, e seu pai Francisco Fábio de Souza e Silva, 50 anos, foram cofundadores da comunidade católica Caminhando para Santidade, em Natal (RN). Cristiane formou-se em Psicologia, pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte, e era concursada do Tribunal de Justiça do estado. Seu marido era formado em Pedagogia e exercia a função de segundo-sargento do Corpo de Bombeiros.


A filha conta que o quadro da mãe se agravou rapidamente em uma semana, com várias idas ao hospital por conta da dificuldade de respirar e o grau de saturação do pulmão, levando a ser internada. Com 2 dias de internação, foi transferida para a UTI e, depois de 2 dias, foi entubada. Ficou 20 dias entubada até vir a óbito. O processo de seu pai, que contraiu o vírus com a esposa, foi mais lento e com complicações. No início, teve apenas febre leve, depois desenvolveu enjoo e queda de pressão, momento em que foi preciso ser levado à UTI para ser entubado. O processo todo até o falecimento durou 26 dias, conta a filha. Ouça, nos áudios abaixo, o relato dos momentos mais difíceis que Isabelle passou nesse processo de perda dos pais para a Covid-19.

Relatos de

Isabelle Regina

🔊 O processo da perda
🔊 A dor de não se despedir
🔊 A superação do luto

A presença misericordiosa da Igreja em Manaus (AM)

Na esteira da realização do Sínodo da Amazônia e do lançamento, pelo Papa Francisco, da Exortação Apostólica Querida Amazônia, Dom Leonardo Ulrich Steiner tomou posse, dia 31 de janeiro de 2020, como Arcebispo Metropolitano de Manaus (AM). Além dos desafios gigantescos do cuidado com a biodiversidade e da “casa comum” presente neste bioma de importância mundial, o Arcebispo se viu frente às adversidades aos desafios impostos por uma nova realidade: o avanço do coronavírus na região.

 

“Tinha chegado, em janeiro e no início de maio, a entregar ao mistério de Deus um padre que ainda não tinha conhecido bem. Foi um momento bem exigente. O sepultamento do Padre Cairo Gama, com 41 anos, veio a óbito dia 4 de maio, na primeira onda da pandemia, logo no começo. Estar no cemitério com os 2 bispos auxiliares, mais a irmã do padre e um representante da paróquia e celebrar a encomendação foi bem marcante”, relembra.

 

Logo na primeira onda, Dom Leonardo conta que a Arquidiocese buscou consolar espiritual e corporalmente os fiéis: “Ao suspendermos as celebrações presenciais, oferecemos às comunidades celebrações on-line. As celebrações que pediam horário diverso passaram a ser transmitidas pela TV Encontro das Águas. As reuniões continuaram acontecendo, também a catequese, tudo on-line. Suspender todas as manifestações públicas da fé como procissões e novenas, que têm um significado forte para os fiéis, também foi difícil”, conta.

 

A fome, acentuada como consequência da pandemia, logo se mostrou como uma das maiores dificuldades encontradas por bom número de famílias. “Com a ajuda da sociedade e das comunidades, foram alimentadas mais de 60 mil pessoas. Os irmãos e irmãs que vivem nas ruas foram acolhidos e receberam uma refeição no dia”, disse.

 

O Bispo marcou, pessoalmente, presença nos cemitérios para encomendação das almas. “Vimos a necessidade de estarmos lá no meio das famílias enlutadas para ser presença e consolo. A dor era sem palavras, pois o silêncio reinava. Dois caminhões frigoríficos recebiam os corpos. Os familiares recebiam o horário para acompanharem o enterro”, relata. Dom Leonardo descreve como um gesto misericordioso rezar com os familiares que acompanhavam o seu ente querido em um último instante de breve despedida. 

 

Nos cemitérios, o Arcebispo de Manaus se encontrou também com os coveiros, as pessoas da limpeza e da administração da segurança: “Ouvir desses irmãos uma palavra de gratidão por estar ali foi uma alegria para quem recebeu o ministério do cuidado. Sou grato a Deus pelos padres e diáconos que foram presença do Evangelho para os irmãos e irmãs”.

 

Os falecidos, segundo o Arcebispo, são lembrados toda semana na celebração da catedral. Outra ação marcante foi a recordação, em 2020, dos irmãos e irmãs que partiram para a Casa do Pai com um gesto concreto de plantio de uma árvore, como sinal de esperança, no Dia de Finados.

 

Dom Leonardo descreve como sufocante a falta de oxigênio em hospitais de Manaus, situação vivida na segunda onda da pandemia: “Não ter porta para bater, não ter onde buscar... O meio encontrado foi uma pequena gravação que foi enviada pedindo, pelo amor de Deus, oxigênio”, disse. Nesse tempo, o Bispo conta que todos têm aprendido a confiar em Deus e se apegar à força do Evangelho e de Nossa Senhora.

Rede de Escuta Espiritual

A partir de uma escuta atenta aos setores da Arquidiocese de Manaus em uma reunião dos presbíteros, no final da primeira onda, o Bispo percebeu a importância de criar momentos para verbalizar os sofrimentos. Aprovada no Conselho Presbiteral, a ideia de formar uma rede para Escuta Espiritual nasceu na fase mais dramática da pandemia como resposta da Igreja, preocupada com o sofrimento e o atendimento espiritual das pessoas atingidas pela pandemia.

 

Dessa forma, nasceu a Rede de Escuta da Arquidiocese de Manaus, cujo objetivo é acolher com amor, escutar e orientar com misericórdia e paciência as dores e as alegrias das pessoas atingidas pelas consequências da Covid-19.

 

A Arquidiocese alugou o número telefônico 0800 606 9133, que está à disposição, das 8h às 22h, de quem deseja ligar, expressar a sua preocupação e a sua dor. O número é conectado com o telefone de 34 pessoas voluntárias (leigos, leigas, sacerdotes, religiosas e religiosos). Quando o celular toca, uma das pessoas voluntárias atende.

 

“As pessoas são agradecidas pela possibilidade de conversar com alguém. A escuta além de consolo, também cura, pois ao conseguir verbalizar a dor e o sofrimento, a pessoa vai internamente harmonizando as suas perdas”, conta dom Leonardo.


Pedagoga e teóloga, a agente do serviço de Animação Litúrgica na Paróquia São Bento, em Manaus (AM), Mercy Soares é uma das voluntárias nessa rede de escuta. “Nós escutadores somos chamados a ser pessoas espirituais, solidárias e, no exercício da compaixão, escutar as angústias, os sofrimentos, as esperanças e os sonhos”, relata. 

 

Ela conta que, sempre após se identificar na ligação como Rede de Escuta da Arquidiocese de Manaus e perguntar “Como você está?”, para iniciar o atendimento, vem um silêncio do outro lado da linha, seguido por soluços, choros, e enfim os relatos e desabafos.

 

O atendimento é sempre encerrado com uma fala de Jesus traduzida em oração e com a leitura de um Salmo. As respostas, segundo ela, sempre brotam do coração misericordioso após ouvir os dramas relatados.

Dedicado a todos os cristãos unidos na fé, tenta fornecer respostas às perguntas sobre a vida e a morte que cada um de nós se faz, especialmente quando se perde um ente querido.

Bote Fé Entrevista

“Eu estudo a vida através do que aprendi com a morte”


A Revista Bote Fé entrevistou um dos três pioneiros dos estudos e práticas da (Bio) Tanatologia no Brasil, o doutor Evaldo Alves D’Assumpção, cirurgião plástico aposentado. Na entrevista, conduzida pela jornalista Larissa Carvalho, o médico indica o que pode ser feito para ajudar as pessoas que perderam algum ente querido a superar a dor do luto, principalmente em tempos de Covid-19. "Não existe dor que não acaba; toda dor tem um quantum", afirmou. Um abraço, segundo o médico, é o melhor remédio que pode ser oferecido para quem está sentindo a dor do luto. Confira a íntegra no vídeo.

Carlo Acutis: o jovem Beato das estradas digitais


Assinada por Nicola Gori, postulador da causa de canonização, a biografia recém-publicada pela Edições CNBB – Da informática ao Céu – apresenta a história de Carlo Acutis (1991-2006), um jovem comum, mas reconhecido mundialmente como modelo de santidade na era digital. Seu testemunho indica o essencial na resposta à vocação: “o chamado pela busca da felicidade pela íntima união com Deus”.

 

Eucaristia, estudo, Rosário... E internet... Palavras aparentemente “desconexas” entre si. Porém, se bem observarmos a figura de Carlo Acutis – beatificado em 2020 pelo Papa Francisco –, descobrimos um garoto que desvendou, praticamente sozinho, os segredos dos computadores para, a partir deles, anunciar o amor de Deus a todos.

Hino à vida


Foram só 15 anos de vida, mas suficientes para interpelar a fé de muitos adultos. A santidade foi o refrão do seu hino à vida, a razão que o fazia ser “diferente” na escola, nos passeios ou no futebol com os amigos. Carlo Acutis falava abertamente do seu “kit de santidade”: missa diária, comunhão e Rosário, contato com a Sagrada Escritura, adoração eucarística e a disponibilidade para fazer renúncias pelos outros.


Sobre o Beato, o Papa Francisco afirmou em 11 de outubro de 2020: “Ele não se acomodou em uma imobilidade confortável, mas compreendeu as necessidades do seu tempo, porque viu o rosto de Cristo nos mais frágeis. O seu testemunho mostra aos jovens de hoje que a verdadeira felicidade se encontra colocando Deus em primeiro lugar e servindo-o nos irmãos, especialmente nos últimos”.


Acolhendo o dom de ser consciente da vida de Deus recebida no Batismo, ele foi capaz de compreender a fé não como a conquista de algo inatingível, mas sim como participação no amor de Deus. Isso explica por que sua caridade para com os pobres e a boa relação com os amigos e colegas não eram apenas boas ações, mas sim ocasiões de manifestar – por meio de sua humanidade – a amizade que cultivava com Jesus.


Uma missão de amor nos espaços digitais


Também o modo de lidar com as redes virtuais se tornou, para Carlo, ocasião de anúncio do que considerava essencial: a Palavra de Deus e o Pão da Vida, sua “estrada para o Céu”. Ele compreendeu que, para alcançar as pessoas hoje, era necessário entrar nos imensos ambientes digitais, sempre ao lado de Jesus.


Nesse sentido, o Papa Francisco, na Carta Encíclica Christus Vivit, escreve que Carlo “sabia muito bem que os mecanismos da comunicação, da publicidade e das redes sociais podem ser utilizados para nos tornar sujeitos adormecidos e dependentes do consumo”, mas que o jovem Beato “soube usar as novas técnicas da comunicação para transmitir o Evangelho e comunicar valores e beleza” (ChV, n. 105-106). Essa é uma de suas heranças: o convite para um uso ético e equilibrado das redes.

A beatificação


Com a Beatificação, Carlo tem muito a dizer ao mundo de hoje: em essência, a busca pela primazia de Deus na própria vida e a capacidade de compreender que existe uma realidade que vai além do mundo terreno e que se projeta na eternidade. Também tem o mérito de ter redescoberto, em nossa sociedade secularizada e enraizada no presente, que há outra dimensão a ser olhada. Desse modo, a Igreja oferece, ao mundo inteiro, o exemplo de Carlo como testemunha de Cristo. Essencialmente, a sua existência ensina que a santidade não tem idade e que é possível a todos, seja em qualquer cultura, raça ou língua.

Conheça a biografia do Beato Carlo Acutis

Por que ler?

Para celebrar e viver a Reconciliação

Na minha experiência pastoral, constatei, tantas vezes, que o Sacramento da Reconciliação é pouco compreendido e, como consequência, pouco valorizado e procurado em nossa vida eclesial. Nota-se certa defasagem entre o que a Igreja propõe e sua acolhida. Isso tem longa data, pode-se dizer que acompanha a história da Igreja. De fato, ao longo dos séculos, grandes mudanças aconteceram no modo da Igreja celebrar a misericórdia e o perdão do Senhor.


Existem dificuldades intrínsecas ao Sacramento. Reconhecer os próprios erros e pedir perdão é, humanamente falando, difícil. Mexe com o orgulho pessoal e com o desafio de descer no íntimo da própria consciência. Ainda mais, não é fácil passar do senso de culpa à compreensão do que é pecado e amadurecer o senso do pecado. É um processo que envolve a dimensão psicológica, mas para se abrir à relação de fé com o Deus que Jesus nos fez conhecer.


Depois do Concílio Vaticano II, a Igreja elaborou o novo Ritual da Penitência (1973). Simplificando, pode-se dizer que, mantendo as modalidades celebrativas tradicionais, propõe significativas mudanças. Antes de tudo, uma nova compreensão teológica, espiritual e pastoral. Destaca-se a necessidade de que a Palavra de Deus ilumine a consciência para discernir o bem e o mal; enfatiza-se a dimensão eclesial, própria de cada sacramento; ressalta-se o aspecto de reconciliação, com Deus e com os irmãos, em um permanente e exigente chamado à conversão.


Por isso, é necessário que as nossas comunidades saibam propor adequada formação para que os fiéis compreendam e vivam o quarto sacramento! A catequese, antes de tudo, deve introduzir nessa compreensão. Mas o caminho mais eficaz é oferecido pela liturgia, escola e experiência de fé na dimensão pessoal e eclesial, de forma intensa e serena, à luz da Palavra e no clima da alegria do perdão e da reconciliação.


Com esses objetivos, neste livro – simples subsídio pastoral encontram-se 12 propostas celebrativas, segundo as diferentes exigências da vida eclesial: para crianças, adolescentes, crismandos, jovens, casais e a comunidade toda. Para tornar a celebração mais participativa e envolvente, há propostas de dinâmicas, símbolos, cantos e mensagens. Cada elemento deve ser bem preparado e adaptado às exigências do grupo que celebra.


As celebrações podem ser realizadas com ou sem a presença do ministro ordenado (padre, bispo), e presididas também por ministros leigos. Recomendo que se crie um clima orante, de escuta atenta da Palavra, qual luz que ilumina e espelho para examinar a consciência, espada que corta o mal pela raiz.


O Papa Francisco recomenda que “o confessionário não deve ser uma câmara de tortura, mas o lugar da misericórdia do Senhor que nos incentiva a praticar o bem possível” (EG, n. 44). Procurem-se evitar listas de pecados que fecham a consciência em um senso de culpa que paralisa o crescimento espiritual e mortifica a confiança e o abandono na compaixão acolhedora do Senhor. Deixemos o Divino Espírito agir, Ele que é dado à Igreja e a cada discípulo(a) pela remissão dos pecados e a paz.


Se preparadas e vividas de forma adequada, essas celebrações poderão ajudar a crescer na compreensão, valorização e vivência – pessoal e comunitária – desse maravilhoso encontro com o Senhor Jesus que continua doando seu perdão na e por meio da Igreja.


Dom Armando Bucciol

Bispo de Livramento de Nossa Senhora (BA)

Revista Bote Fé

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